Eu vou botar teu nome na macumba
Vou procurar uma feiticeira
Fazer uma quizumba pra te derrubar
Oi, iaiá
Você me jogou um feitiço, quase que eu morri
Só eu sei o que eu sofri
Deus me perdoe, mas eu vou me vingar
Eu vou botar teu retrato num prato com pimenta
Quero ver se você "güenta"
A mandinga que eu vou te jogar
Raspa de chifre de bode
Pedaço de rabo de jumenta
Tu vais botar fogo pela venta
E comigo não vai mais brincar
Asa de morcego
Corcova de camelo pra te derrubar
Uma cabeça de burro
Pra quebrar o encanto do seu patuá
Olha, tu podes ser forte
Mas tens que ter sorte
Pra te salvar
Toma cuidado, comadre
Com a mandinga que eu vou te jogar
Quem é ela?
Que vai todo dia na capela
Fazer oração, acender vela?
Dizem que ela zela por mim
Me contaram que a menina moça é donzela
Mas quando ela está na janela
Sempre joga beijos pra mim
Me contaram que ela tem, por mim, um chamego
Em todo lugar onde eu chego
Depois ela chega, também
E me olha com jeito de quem quer carinho
Eu fico pensando, sozinho
Será que ela quer ser meu bem?
Se eu vou na Mangueira, ela vai
Se eu vou na Portela, ela está
Ela vai no Cacique de Ramos
Ela vai no Estácio de Sá
Ela vai no pagode em Xerém
Ela vai no pagode em Irajá
Qualquer dia eu me invoco e tomo coragem
E rezo em frente a imagem
Do bom Jesus de Nazaré
Meu Senhor, por favor, vem ouvir minha prece
Pois só tem a paz quem merece
E só tem amor quem tem fé
Quem é ela?
Quem é ela?
Que vai todo dia na capela...