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A Loira Do Carro Branco/Fazenda São Francisco (Maior Proeza)
Cézar & Paulinho

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Viajando solitário mergulhado na tristeza
Numa curva da estrada eu tive uma surpresa
Uma loura encantadora bonita por natureza
Me pediu uma carona eu atendi com destreza
Sentou bem pertinho de mim com muita delicadeza
O meu carro foi o trono, eu passei a ser o dono da rainha da beleza
Foi o dia mais feliz que o meu coração sentiu
Mas meu mundo encantado de repente destruiu
Ao ver a loura tremendo, gemendo e suando frio
Parei o carro depressa na travessia de um rio
Enquanto eu fui buscar a água, que tão triste ela pediu
Ouvi cantar os pneus e me dizendo adeus com meu carro ela sumiu
Somente um bilhetinho na estrada eu encontrei
E quando acabei de ler emocionado eu fiquei
No bilhete ela dizia por você me apaixonei
Só peço que me perdoe, o golpe que eu lhe dei
Para alimentar a esperança o seu carro eu levarei
Me procure por favor, quando me der seu amor o carro eu entregarei
Quem estiver me ouvindo preste muita atenção
O meu carro não tem placa mas vou dar a descrição
É branco e tem uma loura charmosa na direção
Dou o carro de presente a quem fizer a prisão
Por ela ter roubado o carro já tem absolvição
Mas vou lhe dar um castigo vai ter que viver comigo
Por roubar meu coração

Eu fiz a maior proeza
Nas bandas do rio da Morte
Com outro caminhoneiro
Traquejado no transporte
Fui buscar uma vacada
Para um criador do norte
Na chegada eu pressenti
Que era dia de sorte
Depois do embarque feito
Só ficou um boi de corte
O mestiço era bravo
Que até na sombra investia
E a filha do fazendeiro
Mordendo os lábios dizia
Eu nunca beijei ninguém
Juro pela luz do dia
Mas quem montar esse boi
E lhe tirar a valentia
Ganha meu primeiro beijo
Que darei com alegria
Vendo a beleza da moça
Meu sangue ferveu nas veias
Eu calcei um par de esporas
E passei a mão na peia
Peguei o mestiço a unha
Rolei com ele na areia
Enquanto ele esperneava
Fui apertando a correia
Mas quando sentei no lombo
Foi que eu vi a coisa feia
O boi saltou a porteira
No primeiro corcoviado
Numa ladeira de pedra
Desceu pulando furtado
Saía linguas de fogo
Cheirava chifre queimado
Quando os cascos do mestiço
Batiam no lageado
Parou berrando na espora
Ajoelhando derrotado
Pra cumprir sua promessa
A moça veio ligeiro
Me disse: "você provou
Ser peão de boiadeiro"
Dos prêmios que eu vou lhe dar
O beijo é o primeiro
Sua boca foi abrindo
Seu olhar ficou morteiro
Nessa hora eu acordei
Abraçando o travesseiro
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